
Alardes falsos do topo da colina
Risadas altas diante de um socorro desnecessário
E ovelhas pastando tranquilamente no verde pasto
Eis que um dia o lobo o brinda com sua presença
Com uivos esgarniçados ao longe avisa sua chegada
E com olhos famintos põe-se a selecionar seu cardápio
Onde se esconde agora a covarde prepotência do pastor?
Do alto da colina este entoa os mais altos e encarecidos brados
Recebendo tão somente o sussurro do vendo e risadas longínquas como resposta
Corações rijos já não se abalam com lágrimas e desespero
De nada lhe serve o cajado, já há muito gasto em brincadeiras inúteis e pueris
Uma a uma suas pobres criaturas são abatidas
Não sem antes lançarem-lhe um breve olhar de decepção
Enquanto o brilho de suas retinas se esvae
Culminando com o lampejo da última lágrima que escorre
Um rebanho inteiro saciará sua fome?
Já é o final do outono e não haverá lã para enfrentar o inverno
Com que forças trabalhará se de sua carne tirava seu sustento?
Cada ovelha devorada é um pedaço de sua vida que repousa agora no ventre do lobo voraz
E quando acabar sequer de compania ovina irá dispor o pastor
Do rebanho restam apenas sobras indigestas
E da descomunal piscina de sangue lhe fita o predador insaciável
Sem roupas, comida ou compania já não há motivos para o pastoreio
E então diante da impiedade dos fatos ocorridos
O que fazer então senão correr para servir-lhe a sobremesa?
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