quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Fábulas da Modernidade





Pedro e o Lobo

Tantos gritos de acudam infundados
Alardes falsos do topo da colina
Risadas altas diante de um socorro desnecessário
E ovelhas pastando tranquilamente no verde pasto

Eis que um dia o lobo o brinda com sua presença
Com uivos esgarniçados ao longe avisa sua chegada
E com olhos famintos põe-se a selecionar seu cardápio
Onde se esconde agora a covarde prepotência do pastor?

Do alto da colina este entoa os mais altos e encarecidos brados
Recebendo tão somente o sussurro do vendo e risadas longínquas como resposta
Corações rijos já não se abalam com lágrimas e desespero
De nada lhe serve o cajado, já há muito gasto em brincadeiras inúteis e pueris

Uma a uma suas pobres criaturas são abatidas
Não sem antes lançarem-lhe um breve olhar de decepção
Enquanto o brilho de suas retinas se esvae
Culminando com o lampejo da última lágrima que escorre
Um rebanho inteiro saciará sua fome?

Já é o final do outono e não haverá lã para enfrentar o inverno
Com que forças trabalhará se de sua carne tirava seu sustento?
Cada ovelha devorada é um pedaço de sua vida que repousa agora no ventre do lobo voraz
E quando acabar sequer de compania ovina irá dispor o pastor

Do rebanho restam apenas sobras indigestas
E da descomunal piscina de sangue lhe fita o predador insaciável
Sem roupas, comida ou compania já não há motivos para o pastoreio
E então diante da impiedade dos fatos ocorridos
O que fazer então senão correr para servir-lhe a sobremesa?

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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Madrugada


Mais uma noite adentro na madrugada
Horas vazias antecipando-se à alvorada

O frio na janela me lembra a hora
Dentro de pouco despontará a aurora

Idéias vazias, carências até
Tudo muito propício para um cafuné

Então nestes momentos sublimes brotam as incertezas
Pois não se sabe se é o sono que vem chegando ou se é algo que vai despertando...




quarta-feira, 23 de julho de 2008

Retalhos Ralos e Calos


A poesia não deve que ter regras, não pode ter limites e muito menos restrições.
Por isso eu escrevo livre de tudo o que me aflige e do que possa podar minha imaginação.
Na verdade creio escrever, quando na verdade TRANScrevo, pois quem fala não sou eu, é ele!
É aquele que se apodera de mim e que com confiante certeza desafia o teclado com tão hábil destreza que faz com que em noites menos inspiradoras tenha eu que me recolher a insignificância de minha reles existência...
Retalhos, que de tão ralos, conseguem apertar os calos
E são deles que me servirei até que a fonte da imaginação volte a jorrar mais ideias frescas para um novo texto...


Retalhos Ralos e Calos


Me perguntam por que as críticas
Não sei, mais se fosse perfeito não criticaria
Mas como não é perfeito
Me dou ao luxo de comentar

Queria ter outros olhos
De outrem que não eu
Assim talvez entederia este mundo
Que me surpreende de tanta intolerância

Falo por que sinto
Sinto por que sou
Sou porque me fizeram
E já que fizeram eu faço mais ainda

A vida não tem sentido
Se tivesse eu seguiria a contra-mão
Assim encararia todos de frente
E perguntaria para onde vai toda essa gente

Nem tudo que esta escrito tem que ter razão
Assim como nem toda razão tem que ter sentido
Desta forma somos nós, eternos contraventores
Ignorando que deste mundo somos os autores


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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Surpreender-me-ia se não me surpreendesse...


Nenhuma primavera é igual a anterior
As plantas seguem as mesmas, porém suas flores sempre mudam
E como não mudariam?
Depois de um ano completo não haveria como repetir a mesma obra-prima
Sábia é a natureza que se renova a cada ano
Que estação após estação nos apresenta uma nova surpresa
E surpreender-me-iria se não me surpreendesse...


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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Novos Horizontes



Minha voz soa vazia
Reverberando em um mundo sem fim
Para todos os lados vejo apenas o horizonte
Delimitando o abismo da solidão
O que há de errado conosco?
Onde foi parar nossa ternura?

Sinto apenas a brisa gélida do inverno que se aproxima
Que com rajadas violentas me congela a face
Olho para cima em busca de um sol que me aqueça
Mas há muito ele se esconde por tras de tempestuosas nimbos
Como pode uma nuvem encobrir por tanto tempo o sol?
O mesmo vento que me gela também não pode afasta-la?

Quero um corpo que me aqueça
Que me faça esquecer o frio que faz la fora
Pois há muito não me lembro o que é calor humano
E me valho apenas daquele cobertor velho para me esquentar


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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Manifesto do Despertar


MANIFESTO DO DESPERTAR

Um dia desperto e vejo que muito tempo passei em um estado de coma, absolutamente alheio a tudo que se passava a meu entorno. Com meus olhos abertos passo a querer entender tudo o que se sucedeu neste período de autismo do qual fui acometido, e com a mente confusa tento recolocar todas as coisas em seu devido lugar. Me perco, e no intuito de traçar metas e organizar idéias noto um universo de discrepâncias impossíveis de serem solucionadas apenas por meus atos, então busco alternativas viáveis para semear mudanças. Mas o que pode uma pessoa apenas fazer para transformar tanta coisa? Me nego a assumir uma postura reacionária e ser complacente com as injustiças que se impõe no curso de nosso cotidiano. A realidade é por nós moldada, e não se encontra concluída, como uma peça de argila uma vez que sai do forno. Cabe a nós molda-la afim de que ela tome a forma de tudo o que o homem tem de melhor para oferecer a este mundo. Despertemos então para a realidade que realmente vivemos, pois por mais prazeroso que possa ser este sonho, não passa de algo criado por nós mesmos para abstrair-nos do daquilo que de fato acontece, como uma fuga para Shangri-La, ignorando totalmente o fato de que podemos fazer com que esta se materializa aqui mesmo, bem diante de nossos olhos.
Meus olhos estão abertos, e sem nenhum remorso me disponho a perturbar o os confortáveis sonhos alheios, na esperança de que esta inquietude se dissemine, e mais e mais pessoas passem a ver o mundo com um novo olhar, crítico, e assim como eu se proponham a tornar o mundo um lugar melhor.

Aqueles que de fato entendem o que eu digo, podem entrar em contato comigo (seja por blog, email, etc...), assim como divulgar ao máximo o manifesto (ou a idéia que este passa), para promover discussões a respeito do tema e propostas de ações concretas sobre o assunto.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Colocando em dia


Me sinto só

Me sinto só
Uma solidão que apenas eu posso sentir
Porem eu comigo já sou dois
O que pensa e o que escreve
O que cria e o que censura
Em uma eterna contravenção
Queria bem é estar de bem com a vida
Mas primeiro tenho que estar de bem comigo
Para somente assim sair desse conflito
Para que este par possa ser amigo
E eu não me sentir só consigo

Como faz uma cara que eu não escrevo nada, resolvi atualizar isso com algo que eu escrevi já a um bom tempo.
Deixando claro: NÃO, eu não estou triste.
Muito pelo contrario. =]

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Lá e Cá Outra Vez


O que é a vida sem suas voltas? São tantas que (com perdão do trocadilho) volta e meia nos sentimos enrolados. E que mal há nisso? As pessoas mais chatas que conheço são planas e previsiveis, toda vez se fixando no horizonte em busca de saber o que dele surgirá. Pensando nisso eu tive este leve devaneio:

O que é a vida sem suas voltas?

Voltas e mais voltas
Já não sei sequer para que lado me voltar
Quantas vezes não acreditei estar indo quando estava voltando...

Meia volta pode ser dada a qualquer momento
Se somos capitães de nossa vida então podemos mudar a rota a qualquer momento
Ou então podemos até fugir de tudo o que já foi traçado...

São tantas voltas que me sinto tonto
A prioridade é não se enrolar
Afinal de contas ninguém gosta de parar para ficar desatando nós...
( pra isso se não me engano já existe uma nossa senhora*...)

Viva as voltas
Elas então sempre aí para surpreendernos
E nos ensinarem a dar a volta por cima...



*Referencia a Nossa Senhora Desatadora dos Nós (sim, pode procurar que existe... kaoKAoKKAo)

** Como tinha muita gente duvidando, resolvi deixar a prova:
www.iserv.com.br/capela/santos.asp?st=14
Quero ver alguém duvidar agora... =P

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Plante!


Plante!

Quem nunca se sentiu sozinho na vida
Abandonado ao sabor das ondas que nos levam
Totalmente a deriva e sem nenhuma rota traçada
No final nos damos conta que podemos contar penas consigo mesmo

Muitas vezes esquecemos todo o otimismo
Passamos longe da positividade
E esquecemos a que viemos ao mundo
Se é que realmente estamos aqui para alguma coisa

Viver e deixar viver
Não deixa de ser um lindo lema
Porém ele se desfaz quando não conseguimos viver com nós mesmos
Somos nossos proprios inimigos

Cada um traça o seu proprio futuro
Colhe-se o que se planta
E cada dia que não plantamos
Será uma dia (lá adiante) que não colheremos nada

Eu planto a esperança
E por mais dificil que as vezes seja
Eu a adubo tanto quanto seja possivel
A espera que um dia dela brote algo que me fortaleça



terça-feira, 1 de abril de 2008

Tá inaugurado!

Bem gente, tá inaugurado o meu Blog!
Ele é novo (ou em outras palavras: NÃO SEI NO QUE EU TÔ ME METENDO!), mas espero que fique bacana!
Para dizer a verdade eu nem sei o que é que eu vou postar aqui, assim, que no começo vai ser o esquema : o que me der na telha! =P
Afinal de contas, não é a toa que esse blog tem o nome que tem, pois ele é (como uma sábia professora mineira me disse uma vez) um TEMPURÁ DI PARPITE, ou o que os gringos chamam de BRAINSTORM
Bem, vai ai um poemazinho que eu escrevi já faz tempo, mas que até que eu sempre achei legalzinho...

Ventos, Brisas e Tornados

Pessoas entram e saem de nossas vidas
Algumas passam como o vento
Somente sentimos uma leve brisa
Mas outras mais parecem um tornado
Revolvem tudo o que há de mais profundo em nós
Deixando tudo de pernas para o ar

Como acontece com os tornados
Uma vez que eles passam
Temos que juntar os cacos e recomeçar tudo outra vez
Dói
Porém poucos sabem quão profundas podem ser as feridas de um tornado
Mas o importante é enxugar as lágrimas e varrer os cacos para baixo do tapete

Muitas das pessoas importantes que passam por nossas vidas,
Infelizmente saem antes mesmo que possamos dizer o quanto elas são importantes para nós
Ou ainda antes que possamos sequer perceber o quanto as amamos
Então a lagrima escorre solitária
Sem que haja alguém para enxugá-las em nosso rosto

Assim é a vida
As coisas mais importantes e as maiores manifestações de amor,
se medem nas pequeníssimas coisas da vida
Que de tão ínfimas, não podem ao menos serem medidas

Ventos, brisas e tornados
Não se vêem, mas se sentem
E é assim que eu classifico as pessoas em minha vida
E é assim que eu lembro delas uma vez que se vão...